Reunião previa primeiro discussão sobre Previdência, mas ‘Centrão’ e oposição votaram a favor da inversão da pauta. PEC do orçamento aumenta gastos obrigatórios do governo.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputadosdecidiu nesta segunda-feira (15) discutir a proposta que aumenta os gastos obrigatórios do governo, a chamada PEC do orçamento, antes de debater a reforma da Previdência.

Originalmente, a pauta da reunião previa como primeiro item a reforma da Previdência. Desde a semana passada, porém, os partidos do “Centrão” passaram a articular o adiamento do debate.

O governo quer aprovar a reforma da Previdência ainda no primeiro semestre deste ano. A proposta é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pela equipe econômica como uma das principais maneiras de recuperar as contas públicas.

No entanto, incomodados com a articulação política do governo, partidos do chamado “Centrão”, como PP, PR e DEM, decidiram apoiaram um requerimento do PT para inverter a pauta desta segunda-feira e fazer a CCJ analisar, primeiro, a proposta sobre o orçamento.

Durante a sessão desta segunda, somente PSDB, Novo e Patriota votaram contra a inversão da pauta. Até mesmo o PSL, de Bolsonaro, votou a favor da mudança na pauta.

PEC do orçamento

A proposta de emenda à Constituição (PEC) obriga o governo federal a executar todos os investimentos previstos no Orçamento e a pagar as emendas parlamentares de bancada.

As emendas de bancada são indicações feitas em conjunto por deputados e senadores de um determinado estado, no Orçamento da União, para destinar a uma determinada obra ou região.

O texto, na prática, engessa as possibilidades do governo de executar a peça orçamentária e, com isso, diminui a margem para remanejamentos.

A PEC do orçamento já foi aprovada pela Câmara e pelo Senado, mas, como os senadores modificaram o texto, o projeto voltou para nova análise dos deputados.

Caberá à CCJ da Câmara analisar se as mudanças do Senado são constitucionais. Depois, o texto terá que passar por uma comissão especial e por dois turnos de votação no plenário.

Inversão da pauta

A inversão da pauta pode, na prática, adiar o início do debate sobre a reforma da Previdência.

Embora a discussão sobre a Previdência possa começar ainda nesta segunda-feira, não há previsão de horário.

Nos bastidores, a avaliação de deputados é que, mesmo que a discussão da Previdência comece nesta segunda e continue nesta terça-feira (16), dificilmente conseguirá ser votada nesta semana, conforme estava previsto.

Reunião

A reunião da CCJ, convocada para as 14h desta segunda-feira, começou com mais de uma hora de atraso e sem acordo entre os parlamentares.

Antes do início, deputados de diferentes partidos chegaram a se reunir a portas fechadas para tentar um consenso sobre a ordem da pauta, mas não foi possível.

Deputados do PSL chegaram mais de sete horas antes do horário marcado da reunião para serem os primeiros da fila.

A estratégia era garantir a preferência na apresentação um requerimento para pular a etapa de leitura de atas de reuniões anteriores, dando celeridade à discussão da reforma da Previdência.

No entanto, sem apoio de vários partidos, como PP, PSD e parte do DEM, além da oposição, não conseguiram aprovar o pedido e as atas acabaram sendo lidas, atrasando ainda mais a reunião.

Os governistas sofreram ainda outra derrota. O “Centrão” defendia votar a PEC do Orçamento, mas temia a obstrução da oposição, que é a apresentação de recursos regimentais com o objetivo de atrasar os trabalhos da reunião.

Em troca de derrubar a obstrução, o líder do PP, Arthur Lira (AL), articulou apoio ao pleito da oposição para que todos os oradores inscritos para debater a reforma da Previdência tenham direito à palavra.

Deputados governistas não descartam apresentar um requerimento para encerrar os debates após dez deputados terem falado sobre a proposta que muda as regras de aposentadoria. Isso permitiria, em tese, avançar para a etapa de votação. No entanto, sem o apoio do “Centrão”, o governo terá mais dificuldade.

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